quinta-feira, 14 de julho de 2011

Meu filho, você não merece nada


Por Eliane Brum - Época



Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.


ELIANE BRUM Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E-mail: elianebrum@uol.com.br Twitter: @brumelianebrum




terça-feira, 12 de julho de 2011

Droga 'disfarçada' já movimenta bilhões e preocupa os EUA



By Ben Paynter

Businessweek

É tarde de uma sexta-feira de abril e Wesley Upchurch, o jovem de 24 anos que é o proprietário da Pandora Potpourri chegou à sua fábrica para encaminhar algumas encomendas de última hora para o fim de semana. A fábrica é uma garagem sem identificação, vizinha de uma oficina mecânica em Columbia, no Estado americano do Missouri. O que Upchurch e seu único funcionário contratado em período integral Jay Harness, 21 anos, estão fazendo é questionável, pelo menos no ponto de vista dos dois.
O produto acabado parece maconha comprimida e é vendida a US$ 13 no atacado, em embrulhos de três gramas. Seu principal ingrediente é um cannabinoide sintético que imita o tetraidrocanabinol (THC), o princípio ativo da maconha.
O espaço de trabalho consiste de uma mesa comprida e dobrável, com uma pilha de plantas, uma balança eletrônica do tamanho de uma calculadora de bolso, uma pilha de papel-alumínio rosa-choque e um selador a quente. Cada pacote leva a marca Bombay Breeze e é decorado com uma logomarca psicodélica de um elefante de história em quadrinhos meditando entre rolos de fumaça e estrelas.



Upchurch coordena os trabalhos enquanto Harness pesa porções da folhagem prensada, empacota e desliza a ponta do embrulho para a máquina de selagem a quente para criar uma embalagem hermética. Ele finaliza cerca de uma dúzia delas em 10 minutos, chegando ao número que eles vão precisar para atender os pedidos: dois carregamentos de mais de 1.000 pacotes cada. Upchurch aponta para uma ressalva na parte de baixo de cada pacote, à direita, onde se lê em letras maiúsculas: "INADEQUADO PARA CONSUMO". Upchurch diz: "Isso é para desencorajar o abuso".
Apesar de seus protestos, o produto da Pandora está sendo consumido - fumado em cachimbos d'água e resenhado em sites como o YouTube - por sua capacidade de alterar a mente. Assim como muitos outros, Upchurch está reembalando produtos químicos medicinais para serem vendidos no mercado varejista, frequentemente com palavras engenhosas de duplo sentido nas marcas. Ele diz que vende cerca de 41.000 pacotes por mês, entregando-os diretamente para 50 lojas espalhadas pelo país, e envia o resto para cinco outros atacadistas, alguns dos quais usam os produtos da Pandora para criar suas próprias marcas. Upchurch diz que sua companhia terá uma receita de US$ 2,5 milhões e lucro de US$ 500.000 este ano, dependendo do que as leis federais e estaduais permitirem.
"Incensos" como o de Upchurch, juntamente com "sais de banho" e até mesmo "desinfetantes de vasos sanitários" vêm pipocando em postos de gasolina, lojas de conveniência, "coffee shops" que não vendem muito café, e sex shops.
Os canabinóides sintéticos são os mais comuns entre uma variedade crescente de drogas que reproduzem efeitos de substâncias ilegais, a maioria cultivada, mas são baseadas em compostos manufaturados e muitas vezes legais.
Em poucos anos uma complicada rede de fornecimento global, possibilitada pela internet, surgiu para produzir, embalar e despachar uma variedade cada vez maior de narcóticos. Ela está abocanhando uma parcela cada vez maior do mercado de drogas recreativas, estimado por Jeffrey A. Miron da Universidade Harvard e do Cato Institute, em US$ 121 bilhões na América do Norte.



Scott Collier, do órgão do governo americano responsável pelo combate às drogas (DEA, na sigla em inglês) em St. Louis, estima que há hoje pelo menos 1.000 fabricantes de drogas sintéticas nos Estados Unidos. Este número diz respeito apenas àqueles que possuem marcas reconhecidas. "Acrescente as pessoas que estão usando a internet como ponto de fornecimento e fabricando nos porões, e esse número aumenta consideravelmente", afirma ele. Muitas drogas sintéticas são fáceis de serem produzidas; vídeos detalhando o processo, com 10 minutos de duração, podem ser vistos no YouTube.
Embora não monitorado nos EUA até poucos anos atrás, o mercado do tipo de "incenso" vendido por Upchurch gera hoje perto de US$ 5 bilhões por ano, segundo Rick Broider, presidente da North American Herbal Incense Association (Nahita), que representa mais de 650 fabricantes, atacadistas e varejistas. Broider diz que seu número é baseado nas estatísticas de vendas fornecidas pelos membros.
Daniel Francis, diretor executivo da Retail Compliance Association, outra organização setorial, fundada para ajudar a informar e proteger os direitos dos comerciantes, diz que contratou um analista independente que chegou a um número parecido.
Segundo a entidade que reúne as câmaras de deputados estaduais, pelo menos 32 Estados americanos promulgaram leis proibindo vários tipos de canabinóides sintéticos. Outros 18 aguardam legislações que aumentem as penalidades.
A maconha sintética ganhou notoriedade pela primeira vez na União Europeia em 2006; pelo menos 21 países membros informaram sua presença em 2009. (Enquanto os EUA e muitos outros países começaram a declarar ilegais esses produtos, pelo menos um, a Nova Zelândia, seguiu o caminho inverso. Em março, o governo anunciou um plano para legalizar a venda de produtos com os analgésicos JWH-018 e JWH-073 para qualquer pessoa com mais de 18 anos.)
As drogas sintéticas também não estão limitadas apenas à reprodução dos efeitos da maconha. Os chamados sais de banho ou desinfetantes de vasos sanitários são, na verdade, a segunda onda das drogas sintéticas: alternativas químicas que simulam os efeitos de substâncias mais pesadas - algumas orgânicas, outras não - como as metanfetaminas, a cocaína, o esctasy, o ácido lisérgico (LSD), a fenciclidina (PCP) e até mesmo coquetéis que misturam todas essas substâncias.



Pelo menos 38 estados americanos já baniram ou aguardam legislações para proibir alguns catinonas sintéticos, que reproduzem os efeitos de algumas drogas como as metanfetaminas.
A sociedade pode estar apenas começando a entender as implicações de uma nova categoria de drogas que promete paraísos artificiais como os produtos orgânicos, sem os incômodos do cultivo, que podem ser transportados em pequenos tijolos, e não em pacotes, que cães amestrados não podem, ou ainda não sabem, como identificar, e que não deixam resquícios nos testes antidrogas. Tudo indica que as réplicas sintéticas de drogas cultivadas, sejam elas legais ou não, chegaram para ficar.
Conforme afirma Collier, "a corrida começou".
Paul Cary, director do Laboratório de Toxicologia e Monitoramento de Drogas da Universidade de Missouri Health Care em Columbia, Missouri, trabalha como consultor especializado da associação nacional dos juizados que cuidam de casos de uso de droga (National Association of Drug Court Professionals). Testes de urina que detectam alguns compostos de JWH foram desenvolvidos no fim de 2010, mas segundo ele esses testes ainda são caros e estão disponíveis apenas em um pequeno número de laboratórios especializados no país.
Jeremy Morris, um respeitado cientista forense do Kansas, pega sua amostra de pesquisa - um torrão de maconha e um pacote de incenso de marca Bayou Blaster - e a coloca em uma mesa ao lado de um microscópio.
O Kansas foi o primeiro Estado americano a proibir os canabinóides sintéticos, graças em grande parte ao trabalho de Morris e de sua equipe de químicos. Ele não cai na história do "incenso". "Está bem claro que as pessoas que estão vendendo esse produtos encontraram uma maneira legal de se transformarem em traficantes", afirma ele.
A erva claramente é maconha. É de um verde acastanhado, com um aroma doce e penetrante. E é "peluda", coberta com os chamados pelos cistolíticos. "A maioria das plantas não possui esse tipo de pelagem, a não ser o ópio", afirma Morris. Nas ruas, o perfil físico é suficiente para a polícia confiscar o material e incriminar as pessoas por posse de entorpecentes.
Em seguida, Morris despeja uma amostra de incenso. A erva é indiscernível e não há um cheiro revelador. "O cheiro é de incenso", diz ele. E com tantos ingredientes em potencial, os cães treinados para cheirar drogas não conseguem fazer seu trabalho.
Morris coloca a amostra sob o microscópio, que revela uma série de gotas de cor âmbar incrustradas dentro de folhas comprimidas. "Agora, você pode cortar a grama do quintal e fazer um produto que deixará você alucinado", afirma Morris. "A planta é apenas o veículo onde eles colocam os cristais." Assim, quando a polícia confisca um pacote suspeito, ele precisa passar por um teste.
No fim de 2009, a polícia do Kansas começou a receber relatos de funcionários de escolas de segundo grau, de que jovens estavam fumando incenso. Em vez de confiscar o material ou tentar fechar as lojas que estavam vendendo a droga, Morris solicitou a oficiais disfarçados que fossem até essas lojas e comprassem mais. Assim como Upchurch quando estava estabelecendo sua fábrica, Morris analisou os produtos químicos que aparecem nas marcas populares. (Upchurch não é químico; é um ex-web designer, mas pagou a um laboratório privado para fazer os testes que lhe permitiram elaborar suas receitas iniciais.)
Em seu laboratório, Morris identificou três ingredientes que provavelmente estão em todas as misturas - JWH-018, JWH-073 e HU-210 - e propôs ao Estado do Kansas que as proibisse. Em março de 2010 o estado colocou todas as três na ilegalidade. Outros Estados fizeram o mesmo. A Louisiana chegou a proibir o uso da planta Damiana, um arbusto originário da América Central que tem um aroma parecido com camomila. A proibição atual do DEA cobre cinco canabinóides, além de qualquer "análogo", pequenas manipulações de estruturas moleculares que basicamente atuam como a molécula original.
Upchurch compra muitos de seus "aditivos especiais" na China e tanto ele como Morris usam o diretório internacional de exportação Alibaba.com para averiguar quais estão disponíveis. Busque na internet "buy JWH" e você encontrará pelo menos 3.800 laboratórios chineses à espera de encomendas.
Para aqueles que fumam incenso, a designação errada dos produtos e a reformulação podem ser perigosas. "Todas essas coisas atuam em várias partes do cérebro, chamadas células receptoras", diz Morris. "Pense nisso como um sistema de fechadura. As células receptoras são a fechadura e a droga, a chave. Quando a chave entra na fechadura, abre as propriedades psicoativas da célula receptora."
Após testes mais de 100 pacotes de fornecedores diferentes, Morris percebeu uma tendência perturbadora: não existe uma tendência. O tipo e quantidade dos agentes que alteram a percepção mental em muitas misturas podem variar não só entre as marcas, como também entre os pacotes da mesma mercadoria. Ele encontrou processadores que usam canabinóides sintéticos diferentes que podem ser de duas a 500 vezes mais forte que o THC.
Os efeitos colaterais vêm aumentando junto com os lucros. A associação americana de que reúne os centros de controle de substâncias tóxicas documentou apenas 14 comunicados sobre os efeitos danosos do incenso em 2009. Esse número saltou para 2.874 em 2010. No fim de maio deste ano, o registro chegava a 2.324, a caminho para dobrar o número do ano passado. Hospitais relatam que fumar incenso pode provocar agitação, aceleração dos batimentos cardíacos, vômito, alucinações intensas e convulsões.
"A maconha pode deixar você calmo e relaxado, mas isso parece provocar ansiedade", afirma o Dr. Anthony J. Scalzo, diretor médico do centro de control e de tóxico do Missouri, que identificou o primeiro surto de visitas a prontos-socorros no fim de 2009. "As pessoas pensam que se você pode comprar legalmente, deve ser seguro. Mas elas não sabem com o que estão lidando."
Muitos estimulantes são reembalados como "sais de banho" - aquelas pequenas cápsulas de gelo solúveis. Mas em vez de serem vendidos em perfumarias e farmácias, eles são vendidos em pequenos pacotes em lojinhas com nomes como Sexperience, Ivory Wave e Vanilla Sky, por até US$ 50 a unidade. Em vez de colocá-los em uma banheira, para tomar banho, os usuários os esmagam para depois cheirá-los, fumá-los ou engoli-los. O uso dos sais de banho teve um repique parecido: os centros de controle de substâncias tóxicas receberam 302 telefonemas em 2010 e 2.507 até o fim de maio neste ano. Segundo Mark Ryan, diretor do centro de Louisiana, esses sais de banho podem provocar paranoia, ansiedade extrema, alucinações, agressividade, pensamentos suicidas, dores no peito e até mesmo "delírios de excitação", o chamado efeito Super-Homem, onde o usuário fica tão agitado e desligado da realidade que continua enlouquecido mesmo depois de levar um tiro.
Inicialmente a DEA apontou a Spice e a K2 (numa referência ao pico K2, o segundo mais alto do mundo), como as duas principais marcas de incenso que mais vêm sendo usadas. A Spice é europeia; em 2009 a alfândega e polícia de fronteira aboliram sua importação. A K2 é americana, fabricada originalmente por Jonathan Clark Sloan, que administra a Bouncing Bear Botanicals, uma vendedora de plantas exóticas e extratos naturais que opera a partir de um depósito em Oskaloosa, Kansas.
As autoridades caíram sobre Sloan, mas não sobre o K2. Em de fevereiro de 2010, a polícia do Kansas e o órgão federal que regulamento alimentos e medicamentos (FDA) invadiram as dependências da Bouncing Bear. Sloan sofreu 20 acusações na corte de justiça estadual, incluindo cultivo ilegal e distribuição de várias substâncias controladas - estimulantes como mescalina, bufotenina, dimetiltriptamina e amida de ácido lisérgico, que supostamente estavam sendo colhidos de uma série de cactos, sapos, cascas de árvores e sementes de rosa gymnocarpa do Havaí, respectivamente.
Em maio, a Retail Compliance Association (RCA) optou por solicitar a congressistas que considerem um sistema de licenciamento federal para ajudar a monitorar os fabricantes e distribuidores em operação e os produtos químicos e dosagens que eles estão usando. Ao contrário de Upchurch, a RCA diz que os produtos provavelmente serão consumidos. "Não há dúvidas de que as pessoas estão comprando esses produtos e usando-os para fins não indicados. Elas estão fazendo o que querem com eles", diz Francis, diretor da RCA.
Upchurch adotou suas próprias restrições. No verso de cada pacote há mais dois avisos: um afirma claramente que não há nele nenhuma substância proibida pelo governo federal. O outro declara que os pacotes não podem ser vendidos para menores de 19 anos. Ele também diz que testa seus produtos duas vezes durante o processo de fabricação para garantir a qualidade.
A atenção com a produção e rotulagem não parecem garantir o cumprimento da lei. Nesta primavera americana, Morris surgiu com uma nova abordagem ao combate às drogas. Em vez de tentar eliminar os ingredientes problemáticos um a um, ele fez uma petição bem sucedida ao poder legislativo do Kansas, para a proibição de sete classes de produtos químicos mais comumente associadas aos canabinóides. Quando a lei entrou em vigor no fim de março, ela proibiu centenas de compostos ao mesmo tempo. Outros oito Estados, incluindo o Missouri, adotaram medidas parecidas. Kansas e quatro outros Estados também aplicaram a tática aos sais de banho, proibindo uma grande classe de estimulantes que inclui a mefedrona e a metilenodioxipirovalerona.
Essas medidas poderão se transformar num modelo para uma ação nacional mais ampla: o Congresso está considerando uma proibição à classe dos canabinóides sintéticos. Ela também se aplicaria à próxima geração de linhas de produtos, como os canabinóides sintéticos em cápsulas chamados "fertilizantes de plantas", supostamente para o uso em plantas domésticas.
A lei do Missouri que proíbe totalmente os canabinóides sintéticos entrará em vigor em agosto. Para a Pandora Potpourri isso significará algumas mudança nos negócios. Na fabriqueta de Upchurch há uma prateleira cheia de caixas grandes a abertas com tipos diferentes de ervas. Como as leis estaduais não são as mesmas e podem mudar rapidamente, ele deixou de criar grandes lotes sob medida para cada região, e passou a criar pré-misturas de ingredientes tratados para atender aos padrões dos vários Estados.



"Quando os compostos ficam fora da lei, nós os removemos e substituímos por alternativas apropriadas", diz ele. "Em geral isso varia de lote para lote, com base no destino." (Tradução de Mário Zamarian)



segunda-feira, 11 de julho de 2011

DOUTOR É QUEM FAZ DOUTORADO



Por Março Antônio Ribeiro Tura

No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor.
A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I.
Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo "docentes" e "profissionais" venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos. Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever.
Pois bem!
Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia "baixado um alvará" pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma "lógica" das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: "o senhor é Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?").
1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca!
2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet.
3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final!
4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há "alvará" como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais).
A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto.
Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre.
Agora o ato é um "decreto". E o "culpado" é Dom Pedro I (IV em Portugal).
Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição.
Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?!
A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: "Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes".
Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta.
Senhores.
Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc, etc.
A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados.
Falo com sossego.
Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade.
Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado.
Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes.
Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem.
E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98.
Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto.
Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial:
www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Lei_1827.htm
Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação.
Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos.
Mas só então.
PROF. DR. MARÇO ANTÔNIO RIBEIRO TURA , 41 anos, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Cinema com rapadura

Há filme novo na praça, e dos bons: meia-noite em Paris. É do chato do Woody Allen. Mas fiquem tranquilos que ele não atua, é “apenas” o diretor. O site cinema com rapadura deu nota nove.

http://cinemacomrapadura.com.br/criticas/210994/meia-noite-em-paris-o-retorno-de-woody-allen-a-boa-forma/

acoelhofFortaleza

terça-feira, 28 de junho de 2011

Workshop

Caros amigos e amigas,
"O que é escrito sem esforço, geralmente é lido sem prazer".
A frase é de Samuel Johnson, poeta, ensaísta, novelista, biógrafo e crítico literário inglês que viveu no século 18 e que é descrito pelo Oxford Dictionary of National Biography como "o mais notável homem de letras na história da Inglaterra".
Como forma de apoiar os autores na casa nesta busca por se aperfeiçoar, eu e um colega escritor estamos organizando I Workshop de Escrita de Ficção, que será realizado de 26 a 28 de agosto, e cujo foco é justamente a profissionalização de escritores.
Conquistar o leitor é mais que uma arte. Venha descobrir como escrever literatura de ficção apaixonante!
Seguem mais informações sobre o evento.

Não perca tempo, pois há poucas vagas!
Saúde, Paz e Sucesso a todos,
Alexandre Lobão
Escritor e roteirista da Casa de Autoreshttp://www.AlexandreLobao.comwww.CasadeAutores.org.br
E-mail: contato@AlexandreLobao.com
Tel.:+55 (61) 8112.2415
Acompanhe minhas dicas para escritores em meu blog: http://dicasdoalexandrelobao.blogspot.com/
e através do twitter:
http://Twitter.com/AlexandreLobao
I Workshop de Escrita de Ficção WWW.EscritaCriativa.Net

Quando nos deparamos com algum mega-sucesso de vendas, em sua esmagadora maioria de autores estrangeiros, nos perguntamos o que é que estes autores têm que torna seus livros algo excepcional.
Seguramente seu caminho não foi fácil, e o sucesso só foi conquistado com muito esforço e talento. Mas, a não ser em casos excepcionais, o talento e a persistência não foram os únicos ingredientes na receita de sua escrita.
Nos trabalhos de J. K. Rowling, Dan Brown, Stieg Larsson, James Patterson e outros, que venderam milhões de exemplares de seus best-sellers, é possível identificar a utilização de técnicas bem determinadas que tornam a obra coesa e a leitura ágil. Estas técnicas, que incluem ferramentas para a construção de premissas, desenvolvimento e sustentação da trama, definição dos personagens e construção das cenas, entre outras, são ensinadas fora do Brasil em faculdades de Escrita Criativa ou outras instituições, e com certeza foram praticadas intensamente por estes autores, que as dominaram e se aperfeiçoaram em seu uso.Apesar destas faculdades e cursos independentes existirem e estarem em contínua melhoria há décadas no Exterior, somente agora os autores brasileiros vêm acordando para a importância de aplicá-las em seu trabalho. Mais importante ainda, os editores nacionais cada vez mais buscam autores que tenham absorvido estas técnicas, que aumentam as chances de suas obras tornarem-se sucesso de vendas.Para atender aos autores que estejam à procura de aperfeiçoar seu trabalho, os escritores Oswaldo Pullen e Alexandre Lobão, agregaram sua experiência como escritores, palestrantes e condutores de oficinas de escrita criativa, ao trabalho que realizaram com especialistas do mercado internacional, e elaboraram o I Workshop de Escrita Criativa.
O workshop inclui palestras que apresentam as ferramentas utilizadas por escritores e roteiristas profissionais, seguidas por oficinas onde os participantes terão oportunidade de experimentar os conceitos aprendidos.As vagas são limitadas, e as inscrições já estão abertas! I Workshop de Escrita de FicçãoBrasília, 26 a 28 de agosto de 2011
RM Hotel Fazenda
Informações e inscrições: WWW.EscritaCriativa.Net
Contato:Oswaldo Pullen - oswaldopullen@gmail.com fones (61)3344.2596 e (61)8138.7998Alexandre Lobão - contato@AlexandreLobao.com fone (61) 8112.2415

terça-feira, 21 de junho de 2011

Ninguem é substituível

Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.



Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível"!
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.
Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça.
Ninguém ousa falar nada.
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido: - Alguma pergunta?
- Tenho sim. E Beethoven?
- Como? - o encara o diretor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio…
O funcionário fala então:
- Ouvi essa estória esses dias, contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Então, pergunto: quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico? Etc.?…
O rapaz fez uma pausa e continuou:
- Todos esses talentos que marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram seu talento brilhar. E, portanto, mostraram que são sim, insubstituíveis. Que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Não estaria na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe, em focar no brilho de seus pontos fortes e não utilizar energia em reparar seus 'erros ou deficiências'?
Nova pausa e prosseguiu:
- Acredito que ninguém se lembra e nem quer saber se BEETHOVEN ERA SURDO , se PICASSO ERA INSTÁVEL , CAYMMI PREGUIÇOSO , KENNEDY EGOCÊNTRICO, ELVIS PARANÓICO… O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos. Mas cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços, em descobrir os PONTOS FORTES DE CADA MEMBRO. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto. Divagando o assunto, o rapaz continuava.
- Se um gerente ou coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe, corre o risco de ser aquele tipo de 'técnico de futebol', que barraria o Garrincha por ter as pernas tortas; ou Albert Einstein por ter notas baixas na escola; ou Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria PERDIDO todos esses talentos. Olhou a sua a volta e reparou que o Diretor, olhava para baixo pensativo. O volto a dizer nesses termos:
- Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam retos não haveria montanha, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados… Apenas peças…
E nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões que 'foi pra outras moradas'. Ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: "Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:…NINGUÉM…Pois nosso Zaca é insubstituível." – concluiu, o rapaz e o silêncio foi total.

Conclusão:
PORTANTO NUNCA ESQUEÇA: VOCÊ É UM TALENTO ÚNICO! COM TODA CERTEZA NINGUÉM TE SUBSTITUIRÁ!
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo..., mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco que posso."

"NO MUNDO SEMPRE EXISTIRÃO PESSOAS QUE VÃO TE AMAR PELO QUE VOCÊ É… E OUTRAS… QUE VÃO TE ODIAR PELO MESMO MOTIVO… ACOSTUME-SE A ISSO… COM MUITA PAZ DE ESPÍRITO…"

É bom para refletir e se valorizar!
Bom dia... INSUBSTITUÍVEL!!!!!

walkerrm@uol.com.br para starnet

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Barcelona


Barcelona beira a perfeição.

Ensolarada, alegre, rica, limpa e ainda tem praia.

Mais todas aquelas coisas que encantam à juventude, bares, motos, e muchas chicas felizes. Uma festa.

Por outro lado, intui-se que o consumismo vive seus dias de maior glória.

Difícil conceber despedício maior, luxo maior em contraste com um desemprego que ronda a casa dos 20%.

Situação insustentável.

Na verdade, um modelo de insustentabilidade.

Há de virar um museu.